quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Gosto...

Gosto!


Gosto de andar descalça de sentir o chão, a terra, a erva... o que for!

Gosto de cantar! Alto, baixo... susurrar... brincar com os tons. Cantar!

Gosto de roupa confortável, gosto de cor, de luz, do sol, do mar... de ser livre!

(Mas seremos realmente livres? Porquê trabalhar a vida inteira, se não se gosta do que se faz?)

Não gosto de dinheiro (nem da responsabilidade que traz consigo...).

Gosto de ajudar, gostei de ser voluntária! Gostava de poder trabalhar sempre assim, sem ordenado, sem o peso do dinheiro.

Gosto de falar, de sonhar, de imaginar (e até de brincar e ser um bocadinho criança)!

Não gosto que me mandem calar quando tenho algo para dizer!

Gostava de nunca ser injusta e de nunca perder a calma (mas nunca é uma palavra muito forte e as vezes acontece...).

GOSTO! (Gosto desta palavra :))

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Rey Misterio

- Mas tenho de atender! Pode ser a minha mãe!!
- Não J. só os adultos podem atender o telefone, sabes disso.
- Então porque não vais atender? Pode mesmo ser a minha mãe a querer saber como eu estou! E se for ela? E depois ela não sabe que eu estou aqui e que estou bem e que...

Desapareceu rápido como um foguete. Tinha 7 anos e aquela hora devia estar na escola.

Durante a manhã e o princípio da tarde o centro estava quase deserto. Apenas frequentado por duas ou três crianças que deviam estar na escola mas que nem sequer estavam inscritos. A maioria não aparecia no centro para que não soubéssemos que não estavam na escola, mas alguns não resistiam a ir pegar-nos umas "partidas". O seu castigo era ficarem privados do centro. Seria justo? Seria o mais correcto privá-los do único sítio onde tinham jogos e ... comida? Onde podiam fingir que não tinham assim tantos problemas? Talvez. Não se pode avaliar uma situação assim a quente.

- 'Tou? Quem é?
- J., dá-me o telefone. Estou? Sim,é mas de momento não está ninguém responsável. Peço desculpa pelo menino. Eles sabem que não devem atender o telefone mas...
- Não tem importância, até foi engraçado. São crianças, é mesmo assim. Ligarei mais tarde, então.

Mas tinha importância. Não tanto para mim, mas para o J. E também para o H. O H. era o coordenador do centro e não gostava nada de saber o que o J. aprontava.

A sua mãe. Não sei sequer se se preocupava com o seu bem-estar. Nem sei se estava em liberdade na altura. Mas antes de saber quem estava do outro lado da linha, tinha a certeza que não era a mãe do J. Elas nunca ligavam.

- Vais ter de lhe contar.
- Porquê? Só nós é que sabemos e se tu não contares ele não vai saber.
- Vai sim. A senhora vai ligar outra vez e vai falar no que fizeste.

Na verdade tenho quase a certeza que a senhora não iria referir o assunto. Mas Estava a tentar incentivar o J. a enfrentar os seus medos e os seus erros. Afinal ele estava apenas a expressar um desejo profundo, ainda que inconscientemente.

- Já sei, já sei o que vai acontecer, não vale a pena ir lá. Vou-me embora e pronto. Para a semana já posso voltar.
- Mas se lá fores, se o H. souber por ti, não fica tão zangado.
- Tenho de me ir embora. Tenho de ir.
- Se lhe contares tu, ele não te impede de voltar. Mas tens de pedir desculpa e...
- Não posso. Tenho de ir embora.
- Sabes que fizeste mal, não sabes?
Olhou para o lado e ficou em silêncio.
- Então se contares e pedires desculpa - mas tens de ser sincero - se não voltares a repetir, acho que o H. te consegue perdoar.
- Tenho de ir embora.
- Queres que vá contigo?
- Sim...

- Já viste como o Rey Misterio é forte? É o Maior!!! Ele ganha a todos!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Artesanato

Apenas uma partilha de algo que gostei...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Porquê?

Porquê?

As emoções são fortes;

Os sentimentos mais intensos;

A necessidade de carinho cria maior intimidade, maior empatia, maior confiança;

As birras não são de mimo, são mais intensas... nem sei se se podem chamar birras;

As suas exigências são mais reais, não são Barbis nem Action Man's, muitas vezes nem são materiais.

Trabalham com mais motivação, empenham-se verdadeiramente pois sentem que são capazes e que alguém está realmente a tomar atenção.

São criativos, não têm a cabeça cheia de ideias pré-concebidas.

Não tentam preencher expectativas demasiado altas, na verdade geralmente não esperam muito deles (injustamente!!!)

São tão carinhosos... assim que conseguimos passar aquela barreira;

É difícil? Sim , muito.
É esgotante? Por vezes. Muitas vezes.
Vale a pena? Sem dúvida!

Dão-lhes todo o tipo de nomes "crianças carenciadas", "crianças difíceis"... são apenas crianças!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

A preto e branco?

De uma lista enorme, escolhi o mais improvável.

Uns eram recentes, outros nem por isso. Muito cor de rosa ou azuis, cores neutras e suaves... Escolhi aquele que falava a preto e branco. Na verdade mais a preto do que a branco.

Nessa noite não conseguia dormir... insónias como as que me atacam hoje, ou talvez não... seriam mais aquele tipo de insónias de quem acabou de tomar uma decisão difícil. O convite de uma amiga de há muitos anos para ir beber um café soube muito bem. Com uns quantos colegas dela que eu já conhecia, outros nem por isso. Ali estava eu no meio de alguns futuros psicólogos e professores.

Foi então que um deles me disse:

- Já sei que vais para a Associção. Como te sentes?
- Um bocado nervosa... Na verdade muito. Como é que é aquilo?

Ele também estava lá trabalhar. Ele no centro de jovens (dos 14 aos 18 anos). Eu ia para o centro sócio-educativo (dos 4 aos 14).

- Bem, não é fácil. És mulher, tens essa vantagem. Aceitam melhor as mulheres do que os homens. Sou visto como uma espécie de autoridade demasiado severa, ou de fonte de competição. O meu carro que o diga. - Sorriu.

Sorri também. Aquela conversa não era bem o que estava à espera. Demasiado sincera, acho.

- Mas foste tu que escolheste, certo?
- Sim.
- Isso é bom. Se escolheste é porque de certa forma gostas desse tipo de trabalho.

Sorri. Foi, realmente, por isso que o escolhi. Mas isso não atenuava o meu nó no estômago.

- Não vai ser fácil, mas o mais importante é que gostas e vais ver que isso te ajuda a superar as dificuldades.

Já foi há dois anos e continuo a ter saudades...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

"Onde vais buscar ideias para posts?"

Pois é... parece que recebi um memé... LOL

Para ser sincera não sabia o que era, mas agora que já sei... Aqui vai!!

As ideias surgem da minha enooooooorme prática profissional :D Infelizmente nem sempre posso dizer aquilo que me apetece e vejo demasiadas burrices que vou postando aqui sob a forma de "desabafos". Outras vezes fico mesmo, mesmo entusiasmada com alguma actividade que fiz com os ninos e como não há muita gente que me quer ouvir, até porque para quem não é da área deve ser mesmo muito chato ouvir-me a falar dos putos a toda a hora (eu sei, eu sei... sobra sempre para ti!!!) escrevo sobre isso. Quem sabe até não ajuda alguém com falta de ideias para trabalhar com as suas pestinhas?!

Obviamente que como sou muito preguiçosa isso se verifica na quantidade estonteante de posts que eu escrevo :D mas estou a tentar melhorar nesse aspecto (vês eu até te dou ouvidos...)

Bem, como tem de de ser passado, passo o memé ao blogue Brincos de Cereja.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

"I hang my head and I advertise
A soul for sale or rent
I have no heart, I'm cold inside (...)"

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Brilho

Há realmente pessoas que não conseguem ver que o seu maior tesouro está a perder o brilho...
Então enterram-no mais um pouco para não terem de o ver perder a luz e desculpam-se a si próprias, por um mal de que só a si se podem culpar.
Enquanto isso a pequena borboleta vai perdendo o seu brilho e a sua cor... as suas asas desfazem-se e aos poucos perde a capacidade de voar. Aquela capacidade que só agora começava a dominar.
Em seu torno ninguém vê... ninguém sente, ninguém a ajuda a recuperar esse brilho e essa magia que lhe permitem voar.
Estará o seu voo para sempre condenado?

Fonte da imagem

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Children see...

Um vídeo que todos deveriam ver e reflectir sobre ele...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Festa de Natal

Foi a minha primeira festa de Natal enquanto educadora!!

No início estava um pouco nervosa, mas quando lá cheguei e vi os meus meninos tudo passou!

Foi divertido do início ao fim!

A festa começou com uma peça muito interessante sobre o país das cores (feita e ensaiada pelas educadoras da manhã). Uma vez que estamos num meio multicultural, achei muito interessante a forma como foi abordado o Natal: como uma festa de família e amizade, carinho e amor, algo que a grande maioria dos nossos meninos apenas tem dentro do jardim-de-infância.

Temos meninos muçulmanos, hindus, católicos.... um sem fim de crenças e devido às quais seria impensável falar apenas na religião católica. Sim, a verdadeira razão do Natal também foi abordada, mas ao fazer uma festa dirigida à família, não fazia de todo sentido dirigirmo-nos apenas a uma parte dessas famílias!

A peça falava então em dois países: o país das cores e o país sem cor. Um dia a fada sininho descobriu este país sem cor e com muita magia, chamou, o azul, o roxo, o amarelo, o verde.... e o país sem cor encheu-se de alegria e cor!

Tudo isto intercalado com Tchaikovsky e com duas canções cantadas pelos meninos: "Caixinha de Lápis de Cor" e uma canção da história "Floresta de Água", o "Hino das Crianças à Terra", de Jorge Salgueiro. História esta muito interessante para se fazerem projectos sobre o ambiente e a sua conservação com os meninos.

Quanto ao CAF, contribuímos com uma canção/história do Patch. Esta é uma adaptação da canção "Jingle Bells" ao programa de Inglês para o pré-escolar, em que o Patch (a nossa mascote) se envolve numa grande aventura para montar a árvore de Natal... isto não corre nada bem e a Árvore acaba por cair, o que para os meninos é um momento hilariante: já imaginaram 75 crianças , entre os 3 e os 5 anos, a cair para o chão gritando "Oh no!!"??

Não consigo descrever o que foi mais interessante se ver o entusiasmo dos meninos por mostrarem à familia que já sabem cantar em inglês ou ver a cara dos familiares, "babados", por ver os seus meninos a falar inglês!

Os ensaios foram igualmente divertidos, contámos a história, fizemos jogos com a canção, fizemos cenários e adereços... acima de tudo os meninos brincaram, imaginaram e divertiram-se! Se tivesse dúvidas, o carinho com que, nós educadoras do CAF, fomos recebidas pelos familíares e os seus agradecimentos, disseram tudo!!

Fotos: as estrelas foram feitas com a técnica do papel crepe e cola branca, foram depois colocadas no nosso cenário; os sinos foram pintados com pó de giz e borrifados com água para o giz aderir à folha e não cair, estes serviram de adereço para os meninos durante a canção "Jingle Bells".


segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O pesadelo continua!!

Pois, é estou de volta... depois desta longa ausência (preguicite aguda!!!) não é pelos melhores motivos que volto a escrever.

Hoje, num dia que eu adorei (o dia da festinha de Natal das minhas pestinhas), soube que uma mãe das minhas estrelinhas se começou finalmente a aperceber dos problemas do colégio...

Embora já esteja a trabalhar num outro jardim-de-infância desde Outubro, nunca deixei de ter contacto com as minhas ex-colegas e de saber que os problemas e o desrespeito à infância continuam... é triste que as pessoas vejam os jardins-de-infância como formas fáceis de fazer dinheiro e nada percebam de pedagogia e do desenvolvimento infantil, que tirem cursos e não tenham a mínima vocação para trabalhar com crianças.

Sim, porque trabalhar com crianças numa fase tão precoce das suas vidas é moldar a sua personalidade, ensiná-las a ver o mundo e a percebê-lo com os seu próprios meios, encaminhá-las no seu desenvolvimento para serem adultos activos, críticos, que possam fazer o mundo evoluir e melhorar. Como podem certas pessoas brincar com esta responsabilidade??

Não esquecendo que trabalhar com as crianças é também trabalhar com os pais (e familiares directos). Estem têm o direito de participar na vida escolar dos filhos e, sim, de pedir satisfações sempre que pensem que os seus filhos não estão bem na escola! Mais do que um direito, é o dever de todos os pais. Coagir, ameaçar, os pais é meio caminho para a ruina de quem diz que "tempo é dinheiro e eu estou aqui para fazer dinheiro, se está a fazer-me perder tempo, está a fazer-me perder dinheiro..." (O resto da frase nem quero referir).

Tenho pena que o mundo da educação de infância tenha chegado a este ponto... no lugar de uma evolução temos o total desrespeito!

Amanhã conto como foi a festa de Natal...

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Hoje recebi um e-mail...

"DIÁRIO DE UM CÃO

1ª semana
Hoje completei uma semana de vida. Que alegria ter chegado a este mundo!

1 mês
A Minha mãe cuida muito bem de mim. É uma mãe exemplar!

2 meses
Hoje separaram-me da minha mãe. Ela estava muito irrequieta e, com seu olhar, disse-me adeus. Espero que a minha nova "família humana" cuide tão bem de mim como ela o fez.

4 meses
Cresci rápido, tudo me chama a atenção. Há várias crianças na casa e para mim são como "irmãozinhos ". Somos muito brincalhões, eles puxam-me o rabo e eu mordo-os na brincadeira.

5 meses
Hoje deram-me uma bronca. A minha dona ficou incomodada porque fiz xixi dentro de casa. Mas nunca me haviam ensinado onde deveria fazê-lo. Além do que, durmo no hall de entrada. Não deu para aguentar.

8 meses
Sou um cão feliz! Tenho o calor de um lar; sinto-me tão seguro, tão protegido... Acho que a minha família humana me ama e me dá muitas coisas. O pátio é todinho para mim e, às vezes, excedo-me, cavando na terra como meus antepassados, os lobos quando escondiam a comida. Nunca me educam... Deve ser correcto tudo o que faço.

12 meses
Hoje completo um ano. Sou um cão adulto. Os meus donos dizem que cresci mais do que eles esperavam. Que orgulho devem ter de mim.

13 meses
Hoje acorrentaram-me e fico quase sem poder movimentar-me até onde tem um raio de sol ou quando quero alguma sombra. Dizem que vão me observar e que sou um ingrato. Não compreendo nada do que está a acontecer.

15 meses
Já nada é igual... moro na varanda. Sinto-me muito só. A Minha família já não me quer! Às vezes esquecem-se que tenho fome e sede. Quando chove, não tenho tecto que me abrigue...

16 meses
Hoje tiraram-me da varanda. Estou certo de que a minha família me perdoou. Eu fiquei tão contente que pulava com gosto. O meu rabo parecia um ventilador. Além disso, vão levar-me a passear!! Dirigimo-nos para a estrada e, de repente, pararam o automóvel. Abriram a porta e eu desci feliz,pensando que passaríamos o nosso dia no campo. Não compreendo porque fecharam a porta e se foram. "Ouçam, esperem!" Ladrei......esqueceram-se de mim....... Corri atrás do carro com todas as minhas forças. A minha angústia crescia ao perceber que quase perdia o fôlego. Eles não paravam. Haviam-me esquecido!

17 meses
Procurei em vão achar o caminho de volta ao lar. Estou só e sinto-me perdido! No meu caminho existem pessoas de bom coração que me olham com tristeza e me dão algum alimento. Eu agradeço-lhes com o meu olhar, desde o fundo da minha alma. Eu gostaria que me adoptassem: seria leal como ninguém! Mas apenas dizem: "pobre cãozinho, deve ter-se perdido."

18 meses
Um dia destes, passei perto de uma escola e vi muitas crianças e jovens como os meus "irmãozinhos" aproximei-me e um grupo deles, rindo, atirou-me uma chuva de pedras "para ver quem tinha melhor pontaria". Uma dessas pedras, feriu-me o olho e desde então,não vejo com ele.

19 meses
Parece mentira. Quando estava mais bonito, tinham compaixão de mim. Já estou muito fraco; meu aspecto mudou. Perdi o meu olho e as pessoas mostram-me a vassoura quando pretendo deitar- me numa pequena sombra.

20 meses
Quase não posso mexer-me! Hoje, ao tentar atravessar a rua por onde passam os carros, um acertou-me! Eu estava no lugar seguro chamado "calçada ", mas nunca esquecerei o olhar de satisfação do condutor, que até se vangloriou por acertar-me. Oxalá me tivesse matado! Mas só me deslocou as patas traseiras! A dor é terrível! As Minhas patas traseiras não me obedecem e com dificuldade arrastei-me até a relva, na beira do caminho. Faz dez dias que estou embaixo do sol, da chuva, do frio, sem comer. Já não posso mexer-me! A dor é insuportável! Sinto-me muito mal, fiquei num lugar húmido e parece que até o meu pêlo está a cair... Algumas pessoas passam e nem me vêem; outras dizem: " não te chegues perto". Já estou quase inconsciente; mas alguma força estranha me faz abrir os olhos. A doçura de sua voz fez-me reagir. "Pobre cãozinho, olha como te deixaram", dizia... com ela estava um senhor de avental branco. Começou a tocar-me e disse: "Sinto muito senhora, mas este cão já não tem remédio. É melhor que pare de sofrer". A gentil senhora, com as lágrimas rolando pelo rosto, concordou. Como pude, mexi o rabo e olhei-a, agradecendo-lhe que me ajudasse a descansar. Somente senti a picada da injecção e dormi para sempre, pensando em porque tive que nascer se ninguém me queria..."

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Dramatização

A expressão dramática por vezes é levada demasiado a sério. Exigimos demais dos meninos, pois acreditamos que todos têm de saber um determinado número de falas, têm de as dizer no tempo certo e sem esquecer uma vírgula... e nós educadores a roer as unhas, por detrás do palco!!

E a brincadeira?! E a diversão?!

Aos poucos fui descobrindo outras formas de trabalhar a expressão dramática sem "massacrar" as crianças (e os adultos!), acreditem que foi algo que sempre me preocupou!

Ontem experimentei algo que ainda nunca tinha feito: uma dramatização "espontânea", isto é, os meninos descreviam os acontecimentos e eles próprios criavam os gestos e movimentos adequados ao que estava a ser dito.

Reuni o grupo para a leitura da história "Ainda Nada?", de Christian Voltz, Kalandraka. A história é muito simples e permite aos meninos participarem, pois há frases que vão sendo repetidas ao longo da história e que eles gostam sempre de terminar (eu começo a frase e eles treminam).

Tanto com este grupo, como com um outro grupo com que trabalhei anteriormente, os meninos gostaram tanto da história que me pediram para voltar a lê-la. Estiveram tão atentos como na primeira vez que a li!

Após a leitura da história, reunimo-nos em círculo e pedi aos meninos que me descrevessem a história. O grupo estava mesmo muito entusiasmado! O R. dizia-me que "O Sr. Luís fez um buraco enooooome na terra" (a história começa com a frase "De manhã, bem cedo, o senhor Luís cavou um buraco Enorme na terra"). Então todos cavámos um pouco, depois colocámos a semente e pisámos a terra, regámos, conversámos com a semente, fomos dormir (e ressonámos bem alto) e voltámos todos os dias para ver se a semente já tinha brotado, até conversámos com o pássaro apaixonado, que "não disse nem piou!"...

Assim, num momento bem divertido, recordámos a história através de uma dramatização que trouxe muitas gargalhadas à nossa sala! Foi uma actividade em que até eu me ri à gargalhada!!!


As novidades (ainda que atrasadas!!!)

A minha ausência deve-se ao facto de ter começado a trabalhar... pois, acabei por aceitar aquele bem longe de casa, já que não tive notícias do ATL... agora continuo à espera de notícias!

Estou a fazer a componente de apoio à família, um trabalho um pouco diferente do habitual e com um grupo bem exigente!!

A verdade é que estou a adorar, apesar do muuuuuuuuiiiiiiito trabalho, já que estou sozinha com 25 crianças!!!

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Nem sei...


A vida é mesmo estranha!

Se há alturas em que não temos uma notícia sobre emprego, há outras em que vem tudo ao mesmo tempo...

Depois de uma entrevista para um ATL, hoje fui a uma entrevista para educadora de infância, mas part-time...

Bem, o ATL era perto de casa, tempo completo (estágio profissional), mas são 70 crianças (Glup!!) e muitas com deficiências, algumas profundas...

O outro é para trabalhar apenas de tarde, com crianças de jardim-de-infância, mas todos os dias há actividades fixas, pareceu-me muito semelhante a um ATL... e é tão longe de casa...

Os dois são com meninos carenciados (essa parte eu gosto mesmo :) )

O pior é que do segundo querem uma resposta hoje e do ATL(que eu queria mesmo saber se fico ou não) estão a demorar...

Não sei que fazer...

Por agora tenho de esquecer um pouco isto... vou ao centro de emprego... entrevista para estágio profissional. (Eu bem disse que vinha tudo ao mesmo tempo!)



segunda-feira, 24 de setembro de 2007

...

"It's so relieving to know that you're leaving as soon as you get paid
It's so relaxing to know that you're asking wherever you get your way
I's so soothing to know that you'll sue me, this is starting to sound the same
I miss the comfort in being sad, I miss the comfort in being sad
I miss the comfort in being sad"

K.C.

domingo, 23 de setembro de 2007

Será?

Será que vale a pena seguir aquilo em que se acredita?
Pensei que sim...

Tens de ser assim, tens de fazer isto, tens de sorrir mesmo que te apeteça gritar
Tens de obedecer, tens de fazer aquilo em que não acreditas mesmo nada
Tens de ver maus tratos e calar...

Será que tem de ser mesmo assim??
Será que temos de ser passivos?
Ou podemos fazer algo para mudar um pouquinho um mundo?

Se ser educador é ter nas mãos o futuro do mundo, se é ajudar crianças a desenvolverem-se, a aprenderem a pensar e a formar a sua personalidade, como posso ir contra os meus princípios?

Como posso fazer algo que, para além de errado, vai contra tudo aquilo em que acredito e dizer aos meus meninos: "Devemos fazer isto em vez daquilo, porque aquilo está errado!"?

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Desabafos

Apetece-me estar onde não posso,
não me apetece estar onde posso.
Não me apetece fazer nada,
apetece-me fazer tudo.
Apetece-me rir,
apetece-me chorar.
Não me apetece chorar,
nem estar estar em lado nenhum.
A cabeça fervilha de pensamentos e ideias,
mas nada sai...
Apetece-me estar contigo,
mas apetece-me estar sozinha,
ver a lua que me ilumina através da janela,
num olhar reconfortante,
e me diz "tens o mundo à tua espera!"
Mas eu não quero entrar nesse mundo
Mundo de desilusões e enganos...

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Fórum Educação de Infância

Hoje, sem querer, encontrei um Fórum muito interessante para Educadores e não só!

Gostei principalmente da possibilidade de partilha de ideias e conhecimento. Querem saber mais? Passem por lá!